Mestrado Acadêmico em Políticas Públicas e Sociedade lança edital para seleção

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O Curso de Mestrado Acadêmico em Políticas Públicas e Sociedade (MAPPS), da Universidade Estadual do Ceará (Uece), abrirá seleção a partir de 15 de setembro para preenchimento de 20 vagas.
O Mestrado tem como objetivo formar pesquisadores capazes de analisar a sociedade diante das mudanças paradigmáticas que vêm ocorrendo no âmbito da modernidade, com capacidade de refletir criticamente, na dinâmica do mundo globalizado, sobre políticas públicas no contexto das especificidades nacionais e regionais.

Poderão se candidatar alunos egressos, preferencialmente, dos cursos de graduação em Ciências Humanas. Podem participar também da seleção graduados de outras áreas do conhecimento interessados nas linhas de pesquisa do MAPPS.
As inscrições deverão ser realizadas até 8 de outubro, na secretaria do MAPPS, no bloco do Centro de Estudos Sociais Aplicados (Cesa), Campus do Itaperi.


Mais informações: (85) 3101-9887

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Literatura e Cinema foi tema de projeto desenvolvido pelo subprojeto do pibid de Letras/Português

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Nesta terça feira (01/09), aconteceu, no auditório da FAFIDAM, a socialização das atividades referentes ao projeto Literatura e Cinema do PIBID de Letras Português. Nos períodos matutino e vespertino, houve a apresentação de trabalhos produzidos durante a execução do projeto, como curtas-metragens, declamação de paródias e poemas, danças e a exposição de trabalhos em forma de desenho, cartazes, banners e maquete sobre a leitura dos romances Lisbela e o Prisioneiro (Osman Lins), Auto da Compadecida (Ariano Suassuna), O Quinze (Rachel de Queiroz) e Capitães da Areia (Jorge Amado), posteriormente apreciados também nas adaptações fílmicas de cada obra, exibidas em sala de aula para os alunos participantes.
Estivereram presentes o diretor da FAFIDAM, o prof. Dr. João Rameres Reges, os coordenadores de área profa. Me. Kátia Cristina Cavalcante de Oliveira, profa. Dra. Ana Maria Pereira Lima e prof. Me. Antônio Lailton Moraes Duarte, idealizadores do projeto, além de diretores das escolas da educação básica (E.E.F. Pe. Joaquim de Menezes, E. E. F. Valdetrudes Edith Holanda, E. E. M. Egídia Cavalcante Chagas), professores supervisores, alunos e bolsistas IDs que acompanham a rotina escolar. Na ocasião, os professores supervisores, os bolsistas IDs e os alunos das escolas contempladas pelo projeto expuseram suas produções no auditório desta unidade, além de comentar as impressões que tiveram sobre os trabalhos conduzidos entre os meses de fevereiro a junho de 2015, refletindo sobre a execução de cada um em suas turmas de ensino fundamental e médio.
O evento também contou com a presença das superintendentes da CREDE 10 de Russas, Maria Corrêa de Carvalho e Adriana Azevedo, que apreciaram, no turno vespertino, algumas das apresentações de atividades produzidas pelos alunos e bolsistas do PIBID. No final, os coordenadores de área, Kátia e Lailton, fizeram as considerações sobre a realização do evento e o período de pré-discussão e produção das atividades, enfatizando as contribuições do projeto nas escolas municipais e estaduais de Limoeiro do Norte e Morada Nova, inovando e ampliando os conhecimentos sobre literatura e cinema em sala de aula, além dos incentivos à leitura e à escrita a partir da proposta de uma nova metodologia de ensino e aprendizagem.
Luiz Henrique Rodrigues e Silva, bolsista de Iniciação à Docência Letras Português-FAFIDAM

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Religião não se discute, certo?

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Por Maurício Moreira Cardoso
Professor do curso de Letras/Língua Inglesa da FAFIDAM/UECE


E se a religião for apenas uma espécie de seringa pela qual for administrado o soro das maiores ilusões em que o homem possa aprisionar sua mente? E se a experiência religiosa servir como uma fábrica de subjetividades postiças capazes de encobrir nossa verdadeira identidade concernente às relações fundamentais que temos com o Universo até agora conhecido e por conhecer? E se a religião servir como um dos mais eficientes instrumentos para o estabelecimento e manutenção do poder exercido por grupos de seres humanos tão suscetíveis a falhas e a enganos quanto qualquer representante da espécie humana e que, ao mesmo tempo, têm interesses nada altruístas?
As perguntas acima remetem a uma série de hipóteses bastante interessantes, as quais surgem pela simples transformação em afirmações a serem cuidadosamente investigadas. Por uma observação superficial, podemos apontar que as religiões ocidentais – em sua maioria – são marcadas pela questão da dualidade entre o que se considera como bem e o que se considera como mal. Tal como uma estrutura fractal, a referida dualidade parece derivar um feixe considerável de outras dualidades, como a verdade e a mentira, o falso e o verdadeiro, o divino e o humano, o mortal e o imortal, o finito e o infinito, o céu e o inferno, o sagrado e o profano, a vida e a morte, e por aí segue. No entanto, parece frutífero, para efeito do entendimento do funcionamento do mecanismo das dualidades na fabricação do “soro das ilusões”, analisar a dualidade que calculamos ser a dualidade fundamental: a luta entre o “Bem” e o “Mal”.
Por uma série de narrativas, rituais e práticas religiosas, cria-se na mente dos seguidores a falácia de que existe em nosso Universo algo que pode ser marcadamente, e sem sombra de dúvidas, apontado como a expressão do “Bem” – o Bem enquanto valor absoluto. Consequentemente, tudo aquilo que sobra nessa relação dual não pode ser outra coisa senão a expressão do “Mal”. Bem e mal são suas forças que colocam o indivíduo em boa ou má posição perante si mesmo e perante outros indivíduos. Pior do que isso, esses extremos determinam o seu destino, que salta de uma condição temporal para uma condição atemporal e não passível de mudança, uma vez cruzado o limiar que separa finitude e infinitude. Pronto, está arquitetado o princípio ativo disso que chamo o “soro das ilusões”, o qual promove a construção de uma subjetividade humana extremamente problemática, assolada por uma gama de transtornos os quais, acima de tudo, colocam o indivíduo em uma situação deplorável perante um deus artificialmente construído.  Esse deus construído é sempre cercado de contradições e de narrativas que não se encaixam, nem fazem sentido por si mesmas, uma vez que não respondem a um padrão lógico de raciocínio. Assim, esse deus nunca é completamente entendido, posto que apresenta uma configuração difusa, imprecisa, resultando que esse deus jamais pode ser alcançado. Em última análise, o mal estar do indivíduo se estabelece perante ele mesmo. A única coisa que ele “sabe” bem sobre si, enquanto essência espiritual, é que é um desgraçado (destituído da graça de seu deus). Por quê? Porque seus ancestrais pecaram, fizeram algo que não deviam, embora nunca tenha estado logicamente claro por que aquela ação que o desgraçou não era correta. Nestes termos, ele faz parte de uma linhagem de seres culpados, delinquentes, e que, acima de tudo, devem se sentir como tal.
As forças que constrangem o indivíduo religioso ocidental são, principalmente, o medo (da danação eterna e do desconhecido) e o sentimento de culpa (por algo que os antecessores fizeram, ou que ele, na mesma condição, faria). A Psicologia moderna tem procurado entender o efeito de sentimentos negativos como o medo, por exemplo, sobre a percepção e cognição humanas. Já a culpa, conforme a teoria da Gestalt, provoca alterações internas no indivíduo, notadamente, na percepção e em sua autorrepresentação, tomadas em um contexto global e relacional. Por seu turno, indivíduos cuja capacidade cognitiva é limitada são mais fáceis de serem controlados e teleguiados. A propósito, o filósofo indiano, autor de diversas conferências proferidas nos Estados Unidos e na Inglaterra no final do século XIX, Swami Vivekananda afirma que a Filosofia Vedanta não reconhece o pecado, embora reconheça o erro, o equívoco. Na verdade, diz Vivekananda, o maior de todos os erros, conforme o Vedanta, é propalar que somos fracos, que somos pecadores, criaturas miseráveis, e que não temos a capacidade de realizar isso ou aquilo. Sempre que pensamos assim, afirma o sábio, acrescentamos um elo a mais na corrente que nos aprisiona e adicionamos uma camada hipnótica a mais em nossa própria alma.
Um indivíduo que pauta sua percepção por uma mera relação dual apresenta uma subjetividade que vive em eterno conflito com seu meio. Sou eu e o outro. É o bem e o mal, a vida e a morte. Basta lembrar o medo irracional que alimentamos da morte como fenômeno marcado, sem nos darmos conta que vida e morte são extremos de um mesmo fenômeno, pois nunca encontramos a vida isolada da morte e vice-versa. Mas somos ensinados a negar um e afirmar o outro. Queremos somente a beleza e ignoramos a feiura; lutamos pela juventude e viramos nossa face para a velhice. Contudo, toda negação de um extremo da dualidade implica, na verdade, a negação do fenômeno como um todo, e, dessa forma, o verdadeiro desequilíbrio se instala. Vale ressaltar que o recurso das dualidades é um importante meio de julgamento. Por exemplo, a ação cooperativa entre a visão esquerda e a direita nos fornece a visão em profundidade; a cooperação entre ouvido esquerdo e direito nos fornece a origem espacial dos estímulos sonoros, e assim por diante. O equívoco apontado aqui, no entanto, está em considerar os extremos da relação dual como pontos fixos imutáveis e irreconciliáveis.
A subjetividade protética envolve todo um programa de realização – visto que objetiva provocar uma distração que nos afaste da tarefa de construirmos nossa própria subjetividade – que nos leva fatalmente a um estado de infelicidade, sempre antecedido por ataques frequentes de ansiedade, depressão, angústia etc. Somos estimulados a nos destacar, a sair em busca de uma realização que se encontra em um plano meramente objetivo. Nestes termos, quero ser lembrado, realizar ações que me imortalizem, quero que meu nome nomeie praças, ruas, instituições. Mas para me destacar tenho me engajar em um esquema de competição que implica a neutralização do heterogêneo, do outro. Desse modo, formamos grupos para nos proteger de outros grupos e de certos indivíduos em particular, e de grupos que ainda deverão ser criados, porque é assim que tudo funciona. No mundo inteiro, a partir dessa perspectiva, somos muito parecidos; somos invejosos, gananciosos, acumuladores, agressivos, adotando um módulo constante de defesa. Ainda assim, aprendemos e até desenvolvemos um conjunto de estratégias de dissimulação que nos fazem parecer cooperativos, interessados no outro, altruístas, pacíficos. Dividir para reinar, eis a mãe das estratégias de controle. Nunca somos estimulados a ver o quanto temos em comum, mas o quanto temos de diferente, embora as diferenças sejam mínimas diante dos traços que compartilhamos. A referida divisão também implica afastar o indivíduo de si mesmo.
A tendência a nos ver fora das relações que na verdade nos constituem, com certeza, ajuda a explicar a destruição que temos causado à Mãe Natureza e ao Planeta Terra como um todo, aos nossos semelhantes e à nossa própria qualidade de vida. Ao contrário, se entendermos que não existimos fora das relações necessárias e fundamentais que permeiam o Universo, teremos mais chances de sobrevivermos diante de tudo que nos assombra.  Talvez um tipo de inteligência emergente seja aquele relacionado à capacidade de desconstruir o estado de inconsciência que tem caracterizado a nossa vida, o qual, certamente, não nos define como genuinamente humanos.

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POR UMA LEITURA DAS (IR)RACIONALIDADES DO CAPITAL NOS TEMPOS E ESPAÇO DA BARBÁRIE

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Por Claudemir Martins Cosme[1]
Professor do Instituto Federal de Alagoas (IFAL) – Campus Piranhas
claudemirmartins@yahoo.com.br
           
De 16 a 22 de agosto de 2015, cursei, como aluno de doutorado no Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal de Pernambuco, a disciplina “Espaço, Poder e Política no Mundo Agrário”, ministrada pelo Prof. Cláudio Ubiratan Gonçalves. Uma oportunidade ímpar pelos seguintes motivos, que pretendo entrelaça-los nestes escritos: a) permitiu conhecer a luta e a resistência do Campesinato Quilombola pelo seu território, no município de Brejo Grande, Território do Baixo São Francisco, Estado de Sergipe e, b) possibilitou participar do III Encontro Nacional do Grupo de Pesquisa “Estado, Capital, Trabalho (GPECT), da Universidade Federal de Sergipe (UFS), com a temática “ As (ir)racionalidades do capital nos tempos e espaço da barbárie”, título que incentivou e que dá nome a esta breve nota.
            Na primeira parte da disciplina, foi possível conhecer de perto a resistência dos Quilombolas da comunidade de Brejão dos Negros, localizada acerca de 8 km da sede do município de Brejo Grande. Quatrocentas e dez famílias quilombolas ribeirinhas do Rio São Francisco, praticantes da agricultura e da pesca na foz do São Francisco, portanto com relações umbilicais com a terra e com a água, bravamente, travam uma luta, insubmissa e emancipatória, contra a sanha insaciável de uma meia dúzia de proprietários de terra, que só visam ao lucro a qualquer preço. No espaço agrário em questão, especialmente, nas comunidades quilombolas visitadas, água e petróleo estão presentes, o que aguça o espírito economicista dos capitalistas rentistas[2]. Sem nenhuma preocupação, estes arquitetam planos perversos para arrancar, de qualquer forma, as famílias quilombolas das terras. Famílias que há dezenas de anos, na condição de moradores de condição, meeiro, parceiros, entre outros, habitaram os engenhos que haviam na região e, simplesmente, na calada da noite se veem frente as tentativas de expulsarem-nas das suas terras ancestrais. Na busca pela existência e preservação de seus saberes, sua cultura, seu modo de vida, sua relação com a natureza, enfim, suas relações entre os homens, mulheres e crianças, diametralmente opostas às relações do mundo do capital, lutam e resistem, diuturnamente, na busca pela vida e, mais, por outra forma de viver e se relacionar com a natureza e com os outros[3].


Figura 01 – Momento na Comunidade Quilombola de Resina – Brejo Grande – SE. Foto: Claudemir Martins Cosme, Trabalho de campo, 2015.
  
            Face esta realidade aludida, a participação no III Encontro Nacional do Grupo de Pesquisa “Estado, Capital, Trabalho”, foi um momento singular para refletir acerca das inquietações suscitadas no momento de campo e, assim, buscar compreender a luta e resistência dos Quilombolas em tela. Um evento, onde a centralidade era refletir, como o próprio tema já explicitava, as barbáries e as irracionalidades do capital, a partir do pensamento e da obra do filósofo alemão Karl Marx. Destarte, através do seu método, o materialismo histórico e dialético, intelectuais de referência nas suas áreas de atuação, desde a Coordenadora do GPECT e do evento, a Profa. Alexandrina Luz Conceição, aos expositores das mesas, os professores Ricardo Luiz Coltro Antunes, com a temática “As (ir) racionalidades do capital nos tempos e espaço da barbárie”, Ivo Tonet, debatendo “Educação, ideologia e poder” e Ariovaldo Umbelino de Oliveira, discutindo “Reforma agrária: a luta pela terra e território nos tempos e espaços das (ir)racionalidades do capital”, deram uma mostra da atualidade e relevância do edifício teórico e filosófico deixado por Karl Marx, numa perspectiva de se compreender as contradições da sociedade neste início de século XXI e propor mudanças estruturais por meio da crítica radical. A presença do representante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), do Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB) e da Profa. Raimunda Aurea de Souza, na mesa redonda intitulada: “Territórios ameaçados: conflitos e resistências”, bem como, o comparecimento de pesquisadores de diversas partes do país discutindo nos Grupos de Trabalhos e realizando intervenções nos debates, contribuíram em muito para aprofundar a reflexão e expor as contradições políticas da sociedade brasileira no momento atual[4].


Figura 02 – Conferência de abertura do Encontro proferida pelo Prof. Ricardo Antunes, UFS. Foto: Claudemir Martins Cosme, 2015.

Neste bojo, entrelaçando o momento de campo junto aos Quilombolas e a reflexão empreendida a partir do materialismo histórico e dialético durante o evento, é que a realidade vai sendo decifrada. Neste momento, foi possível entender a contradição da ação do Estado e dos diferentes governos no trato da questão agrária, especificamente, nos conflitos territoriais entre a classe camponesa e os proprietários capitalistas rentistas. Contradição que se acirra quando percebemos uma ação do Estado, através dos governos e do judiciário, direcionada a não ferir os interesses destes últimos, a exemplo do próprio conflito envolvendo os Quilombolas de Brejão dos Negros.
Mais do que nunca, na batalha das ideias que vivemos, seja na academia, na mídia e nas frações territoriais em disputas Brasil a fora, ficou evidente nas discussões do Encontro, que devemos sim atualizar e renovar sempre o pensamento do filósofo alemão, ao invés de secundarizar os seus escritos, como querem os ideólogos da manutenção do status quo. É preciso perceber o potencial da ocular do materialismo histórico e dialético para a leitura do desenvolvimento contraditório do capital, bem como, é mister encarar os desafios de interpretar as lutas e resistências de sujeitos sociais como os quilombolas sergipanos.  
Assim, para aqueles que querem enveredar por meio da crítica radical e fazer proposições de mudanças estruturais, consequentemente, de ruptura com as contradições da sociedade atual, o entendimento e a discussão de algumas categorias centrais da obra de Karl Marx é condição sine qua non para refletir sobre as contradições da sociedade neste início de século XXI. Sendo mais direto, se queremos enveredar através da crítica radical, é preciso ter em mente que categorias/conceitos como: classe social, trabalho, Estado, renda da terra, capital, modo de produção, revolução, devem estar, ou melhor, retornar para o centro das pesquisas e estudos sob pena, na ausência destes, de escamotearmos os processos que produzem e são produzidos no ato de construção das frações territoriais de resistências contra hegemônicas, levadas a cabo pelos diversos sujeitos sociais em luta contra as (ir) racionalidade e as barbáries cometidas pelo capital na sociedade contemporânea.

Referências

MARTINS, José de Souza. Os camponeses e a política no Brasil: as lutas sociais no campo e seu lugar no processo político. 5 ed. Petrópolis: Vozes, 1981.

OLIVEIRA, Ariovaldo Umbelino de. Modo capitalista de produção, agricultura e reforma agrária. São Paulo: FFLCH/Labur Edições, 2007.Disponívelem:. Acesso em: 30 ago. 2015.



[1] Doutorando no Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal de Pernambuco. Mestre em Geografia pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), com mestrado sanduíche na Universidade Federal de Sergipe (UFS). Graduado em Licenciatura Plena em Geografia pela Faculdade de Filosofia Dom Aureliano Matos (FAFIDAM)/Universidade Estadual do Ceará (UECE) e Graduado em Tecnólogo em Recursos Hídricos/Irrigação pelo Instituto Centro de Ensino Tecnológico (CENTEC). Pesquisador membro do Laboratório de Pesquisas e Estudos sobre o Espaço Agrário e Campesinato (LEPEC) e do Núcleo de Agroecologia, ambos do PPGEO/UFPE.
[2] Interpreto o desenvolvimento do capitalismo no Brasil a partir da leitura de Martins (1981, p. 177), quando afirma que “comprando a terra, para explorar ou vender, ou subordinando a produção do tipo camponês, o capital mostra-se fundamentalmente interessado na sujeição da renda da terra, que é a condição pra que possa sujeitar também o trabalho que se dá na terra”. Bem como, de Oliveira (2007, p. 57), que na mesma linha do referido autor, assevera que “[...] no modo capitalista de produção a terra, embora não tenha valor (pois não é produto do trabalho humano) tem um preço, e a sua compra dá ao proprietário o direito de cobrar da sociedade em geral a renda que ele pode vir a dar. Em uma palavra, ao comprar a terra compra-se o direito de auferir a renda da terra”.
[3] Desde meados de 2000, com apoio da Igreja Católica, os descendentes de escravos fugidos, dos cerca de 20 engenhos da região e que hoje formam a Comunidade de Brejão dos Negros, vem construindo sua história e sua identidade Quilombola, conquistando já em 2006 o certificado da Fundação Cultural Palmares. Não obstante, a luta é árdua contra a intimidação e a violência por parte dos latifundiários, bem como, contra os desmandos, a complacência e a omissão dos governantes e do judiciário, além do preconceito de parte dos habitantes da cidades e da própria comunidade. Para maiores informações sobre a luta dos quilombolas em questão acessar a reportagem “Brejão dos Negros: cercas cortadas mantêm conflitos”. Disponível em:<http://www.infonet.com.br/cidade/ler.asp?id=124165>. Acesso em: 30 ago. 2015. Também o documentário: "Brejão dos Negros - Memória e Identidade". Disponível em: . Acesso em 30 ago. 2015.
[4] O evento vem se consolidado no cenário nacional pela profundidade das discussões. A organização do mesmo se dá a partir de grupos de trabalhos, onde ocorre uma discussão coletiva dos trabalhos inscritos no evento, mesas redondas com abertura para o diálogo com os participantes. O Encontro ocorreu de 19 a 21 juntamente com o IX Fórum “Estado, capital, trabalho”, organizado pelo Grupo de Pesquisa Estado, Capital, Trabalho (GPECT), sob a Coordenação da Profa. Dra. Alexandrina Luz Conceição, na Universidade Federal de Sergipe. Para mais detalhes acessar o site: <https://engpect.wordpress.com>.

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150827-Colaboração
Em Porto Alegre, Richard Sennett e Saskia Sassen tentam explicar por que crise não produz rebeldia. Para eles, sistema ainda ilude, ao dissolver redes de colaboração prometendo, em troca, autonomia 
Por Marco Weissheimer, no Sul21 | Foto: Luiz Munhoz
Quando eclodiu a crise financeira de 2007-2008, o sociólogo Richard Sennett acreditou que as pessoas iriam se rebelar contra as atitudes e o funcionamento do sistema financeiro internacional, responsável por rombos e falências cujas repercussões ainda estão presentes na economia mundial. Mas as pessoas não se comportaram da maneira que supôs que iria acontecer. O que teria acontecido? O professor da Universidade de Nova York e da London School of Economics iniciou sua participação no Fronteiras do Pensamento, na noite desta segunda-feira (24/8), no Salão de Atos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), expondo essa expectativa frustrada e a perplexidade que se seguiu a ela. “Fiquei intrigado com a crise de 2007-2008. Por que as pessoas não estavam se rebelando contra ela?” – assinalou.
As reflexões de Sennet apontaram dois motivos centrais para que isso acontecesse. Em parte, afirmou, as pessoas não se rebelaram porque deixaram de acreditar na ação cooperativa e colaborativa. Uma das evidências desse fenômeno foi a redução da participação de trabalhadores em sindicatos. “A nova economia, neoliberal, enfatiza muito a autonomia e não a colaboração. As pessoas não ficam no mesmo emprego por muito tempo, não desenvolvem laços mais permanentes e não se associam com outras pessoas”, observou Sennett. Havia, portanto, razões ligadas à estrutura de funcionamento da economia para explicar a baixa participação.
Para ler o artigo na íntegra clique aqui.

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Mestrado Acadêmico em Educação e Ensino receberá professores ingleses para Seminário Internacional

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A Universidade Estadual do Ceará – UECE, através do Mestrado Intercampi em Educação e Ensino - MAIE (FAFIDAM/FECLESC), coordenado pela Profa. Dra. Maria das Dores Mendes Segundo, receberá de 02 a 12 de setembro os professores Phd Joyce Canaan e Amanda French da Birmigham City University (BCU) e Spyros Themelis, da Universidade do East Anglia (UEA), radicadas na Inglaterra. A visita dá prosseguimento às atividades previstas no Projeto Interações (Edital FUNCAP nº01/2014) de 'Estímulo à Cooperação Científica e Desenvolvimento da Pós-Graduação', o qual conta com financiamento da CAPES e tem como objetivo consolidar Convênio de Cooperação Técnica e Científica entre estas universidades e a UECE. Também participam do Convênio o Mestrado Acadêmico de Políticas Públicas e Sociedade - MAPPS (Itaperi) e Programa de Pós Graduação em Linguística Aplicada –PosLA (Campus de Fátima), dos quais uma comissão composta pelos Professores Doutores José Ernandi Mendes e Sandra Maria Gadelha de Carvalho, ambos do MAIE e a professora Dra. Claudiana Nogueira Alencar (MAIE/PosLA) estiveram, em maio último, nas referidas universidades para palestra proferida na BCU e reuniões de trabalho em UEA. Agora MAIE, MAPPS e PosLA realizarão o Seminário Internacional “Práticas Educativas, Políticas Neoliberais e Gramáticas de Resistência” que conta com o apoio do Programa de Pós-Graduação em Educação - PPGE(Itaperi) e do Mestrado Acadêmico em Serviço Social – MASS (Itaperi) ocorrerá dias 03, 04 E 11 de setembro no Auditório Central da UECE. Com a seguinte programação:
Dia 03/09/2015 de 8h00 às 12h00
As políticas neoliberais e resistências da juventude
Palestrante: Dra. Joyce Canaan - Birmingham City University (BCU)
Debatedores: Representante do DCE/UECE
Representante do RUA – Juventude Anti-Capitalista
Representante do LEVANTE Popular da Juventude
Representante da ANEL.
Coordenadora: Profª Dra. Maria Das Dores Mendes Segundo (MAIE/UECE)
Dia 04/09/2015 de 14h00 às 17h00
As políticas neoliberais e gramáticas de resistência: Grécia e Brasil.
Palestrante: Dr. Spyros Themelis - University of East Anglia (UEA)
Debatedores: Representante do SINDUECE – Prof. Célio Coutinho
Representante do ANDES – Prof. Alexandre Costa.
Representante do MAIE – Profª Sandra Gadelha
Representante do MST.
Coordenadora: Profª Dra. Kadma Marques (MAPPS/UECE).
Dia 11/09/2015 de 8h00 às 12h00.
A prática docente na educação fundamental
Palestrante: Dra. Amanda French - Birmingham City University (BCU)
Debatedores: Representante do PIBID – Prof Nilson Cardoso
Representante do MAIE – Prof. Ernandi Mendes 
Representante do PPGE – Profª Isabel Sabino
Coordenadora: Profª Dra. Claudiana Alencar (PosLA/MAIE/UECE)
Os professores também participarão de atividades do Movimento 21, no dia 07 de setembro do Grito dos Excluídos da região do Vale do Jaguaribe, o qual ocorrerá no município de Potiretama, visita ao Assentamento José Maria do Tomé e escolas rurais, na localidade de Tomé, em Limoeiro do Norte. Na FAFIDAM, os professores proferirão palestras como parte da programação da IX Semana de Educação (dia 09 de setembro) e manterão interlocução com professores e alunos do MAIE, dia 08 de setembro. Os professores serão recebidos pelo magnífico reitor Prof. Dr. Jackson Sampaio no dia 10 de setembro. Como resultado dos trabalhos e pesquisas em conjunto está previsto a publicação de artigos e um livro bilíngue em 2016.
Para conferir a programação clique aqui.
Com informações da Profa. Dra. Sandra Maria Gadelha

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Confiram os programas de pós-graduação da UECE que estão com inscrições abertas

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No segundo semestre letivo do calendário acadêmico da UECE ocorre a maioria das seleções para os programas de pós-graduação. Confiram abaixo os programas e cursos de mestrados que estão recebendo inscrições:
Para mais informações consulte o site do programa de seu interesse.

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Acusados de assassinar Zé Maria do Tomé vão à Júri Popular

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No dia 19 de agosto de 2015, a Justiça estadual de Limoeiro do Norte (CE) decidiu que os acusados do assassinato do líder comunitário e ambientalista José Maria Filho, o Zé Maria do Tomé, deverão ser levados à Júri Popular.
Um dos réus é João Teixeira Júnior, proprietário da Frutacor e um dos mais importantes empresários do agronegócio brasileiro. Também são réus e vão ao Tribunal do Júri: José Aldair Gomes Costa (gerente da empresa Frutacor, que teria intermediado o homicídio) e Francisco Marcos Lima Barros (morador da comunidade de Tomé, que teria dado suporte ao assassino).
Além desses acusados, outros três estariam envolvidos na morte de Zé Maria do Tomé: Westilly Hytler Raulino Maia, (pistoleiro que teria cometido o homicídio, morto em operação policial em 2010), Sebastião Dantas de Barros, (morador da comunidade de Tomé, que teria cometido suicídio em 2012) e Antônio Wellington Ferreira Lima, (também morador de Tomé, assassinado em agosto deste ano, em uma ação da Polícia Militar).
A decisão de pronunciar os réus, levando a julgamento pelo Tribunal do Júri, ocorre mais de cinco anos após a morte do líder comunitário, morto em 21 de abril de 2010, com mais de 20 tiros, depois de sofrer ameaças de morte. O assassinato ocorreu depois de Zé Maria denunciar as ilegalidades e violações de direitos cometidas pelas empresas do agronegócio instaladas na região da Chapada do Apodi, como a grilagem de terras, poluição das águas e principalmente a pulverização aérea de agrotóxicos.
O caso Zé Maria é emblemático no contexto dos crimes, assassinatos e violência no campo brasileiro. José Maria Filho foi assassinado por defender direitos humanos: direito ao meio ambiente, à terra e ao território, à saúde e à vida.
Nós, integrantes de organizações de direitos humanos, movimentos populares, pesquisadores/as que atuam na região, organismos da Igreja e militantes sociais, continuamos cada vez mais firmes em defesa da Chapada do Apodi, do meio ambiente, e da agricultura familiar e camponesa. Seguimos na denúncia dos males causados pelo agronegócio, que envenena e mata o povo brasileiro.
Esperamos que os réus sejam julgados pelo Tribunal do Júri o mais rápido e finalmente condenados. O poder político e econômico não pode se sobrepor à vida. A Justiça prevalecerá, com a condenação e punição dos responsáveis pela morte de Zé Maria.
José Maria Filho, presente!
Cáritas Brasileira Regional Ceará
Cáritas Diocesana de Limoeiro do Norte
Comissão Pastoral da Terra (CPT - Nacional)
CSP Conlutas
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
Movimento 21
Núcleo Tramas/Universidade Federal do Ceará
Rede Nacional de Advogados e Advogadas Populares (RENAP/CE)
Via Campesina Brasil

Um breve histórico:
José Maria Filho foi assassinado no dia 21 de abril de 2010, com mais de vinte tiros, à queima roupa, próximo a sua residência, na comunidade de Tomé, zona rural de Limoeiro do Norte (CE). Destacou-se na luta contra a pulverização aérea de agrotóxicos, na Chapada do Apodi, Ceará. Essa atividade, promovida por grandes empresas do agronegócio, causa a contaminação da água, plantações e solo das comunidades da região. Além disso, provoca diversas doenças nos trabalhadores das empresas e moradores. Essas denúncias encontraram repercussões em ações judiciais, procedimentos do Ministério Público (Estadual, Federal e Trabalhista) e em inúmeras pesquisas acadêmicas.
Além das denúncias sobre as consequências do uso de agrotóxicos, Zé Maria do Tomé enfrentou diretamente as grandes empresas do agronegócio e denunciou irregularidades na concessão de terras nos perímetros irrigados da região. Esses perímetros provocam um processo de desapropriação (e mesmo expulsão) de pequenos trabalhadores rurais e concedem as terras para grandes empresas exportadoras de frutas. Enquanto o estado do Ceará passa por uma de suas maiores secas, essas empresas têm acesso à água em abundâncias e condições facilitadas.
Na região da Chapada do Apodi estão instaladas empresas como Del Monte, BANESA, Fyffes, Agrícola Famosa e Frutacor, esta última cujo proprietário é acusado de autoria intelectual (mandante) de Zé Maria.
A luta de José Maria, em conjunto com as organizações comunitárias, pesquisadores/as, movimentos populares e diversos apoiadores/as, gerou uma pressão social sobre a Câmara Municipal de Limoeiro do Norte. Em 20 de novembro de 2009 foi promulgada a Lei 1.278/2009 que proibia a pulverização aérea no município. Essa iniciativa legislativa foi considera inédita no Brasil e ganhou repercussão internacional, ao banir a pulverização aérea de agrotóxicos.
As empresas do agronegócio da região não cumpriam o disposto na Lei 1.278/2009. Então, José Maria Filho torna-se referência nas denúncias sobre as ilegalidades das empresas do agronegócio.
Além disso, Zé Maria continuou, em conjunto com diversas organizações, denunciando a contaminação das águas, do solo e ilegalidades, como grilagens de terras, cometidas pelas empresas do agronegócio. Todas essas denúncias são respaldadas por diversos procedimentos judiciais e administrativos, como uma Ação Civil Pública que obrigou a prefeitura de Limoeiro do Norte a construir um sistema de abastecimento de água alternativo, pois a rede pública estava contaminada pelos agrotóxicos. Outro procedimento do Ministério Público Federal demonstrou a grilagem de terras das empresas do agronegócio em terras da União.
No dia 21 de abril de 2010, o defensor de direitos humanos foi assassinado, a poucos metros da sua casa, em típica ação de pistolagem.
A lei que proibia a pulverização aérea foi revogada em dia 20 de maio de 2010, um mês após o assassinato de Zé Maria.
O processo nº 7659-18.2010.8.06.0115, que tramita 1ª Vara da Comarca de Limoeiro do Norte, é o que trata do homicídio de José Maria Filho. Da decisão de pronúncia cabe recurso ao Tribunal de Justiça do Estado do Ceará.

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Mestrado Intercampi em Educação abrirá processo de seleção

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O Mestrado Acadêmico Intercampi em Educação e Ensino (MAIE), da Universidade Estadual do Ceará (Uece), abrirá no dia 5 de setembro as inscrições para o Processo Seletivo no Mestrado em Educação e Ensino, com área de concentração em Educação, Escola e Movimentos Sociais.
O MAIE é um curso oferecido conjuntamente pelas Faculdades de Filosofia Dom Aureliano Matos (Fafidam), unidade acadêmica da Uece em Limoeiro do Norte, e de Educação, Ciências e Letras do Sertão Central (Feclesc), campus de Quixadá.
As inscrições vão até o dia 5 de outubro.
Mais informações no site do MAIE
Fonte: Assessoria de Comunicação da UECE

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Saiu o Edital que regulamenta a Isenção da Taxa de Inscrição para o Vestibular 2016.1

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No final da tarde desta quinta-feira (20) foi publicado o edital que regulamenta a isenção da taxa de inscrição do Vestibular 2016.1. Os requerimentos eletrônicos de solicitação da taxa de isenção serão recebidos no período de 24 a 28 de agosto de 2015 através do site www.uece.br/cev.
Para maiores informações consulte o edital.

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